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Diagnóstico de gestação na vaca: quando fazer, ultrassom ou toque, e por que confirmar de novo

Tiago Frias Pinheiro — médico veterinário ·

A resposta curta: com ultrassom, a partir de 28 a 30 dias da inseminação. No toque, a partir de 35 dias, com veterinário experiente. E a vaca que deu prenhe no primeiro exame precisa de um segundo lá pelos 60 dias, porque perto de uma em cada oito perde a gestação nesse meio tempo.

O diagnóstico de gestação (DG) parece um exame para confirmar a prenhe. O valor dele está em outra coisa: achar a vazia cedo, para ela voltar a ser inseminada. Cada semana que uma vaca vazia passa sem ninguém saber vai direto para os dias em aberto.

Com quantos dias cada método funciona

MétodoA partir deO que diz
Ultrassom (transretal)28 a 30 diasVê o embrião e o batimento do coração
Toque (palpação retal)35 dias, tradicionalmente de 35 a 45Sente a vesícula e as membranas
Teste de proteína da gestação (PAG) no sangue ou no leite28 dias, e só em vaca com mais de 60 dias de paridaMede uma proteína que a placenta produz
Doppler do corpo lúteo20 a 22 diasDiz quem está vazia; não confirma prenhe

Arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas.

As fontes: a coluna de José Luiz Vasconcelos e Ricarda Santos no MilkPoint, a revisão de Paul Fricke (Universidade de Wisconsin, 2016) e o trabalho da Embrapa Gado de Leite com Doppler.

A diferença entre ultrassom e toque parece pequena, sete dias. O ganho maior do ultrassom está em outro lugar: no mesmo exame, o veterinário vê o ovário da vaca vazia e escolhe o protocolo certo para ela voltar à inseminação.

Quanto cada método acerta

Um detalhe do ultrassom que muda o resultado: prenhe é embrião com coração batendo, não líquido no útero. Na revisão de Fricke, vacas dadas como prenhes aos 29 dias só pelo líquido tiveram 3,8 vezes mais chance de estarem vazias aos 74 dias do que as que tinham embrião visível.

Quantas prenhes perdem a gestação depois do primeiro DG

Esse é o número que justifica o segundo exame.

Período após a IAPerda
Do dia 30 ao 4513%
Do dia 45 ao 607%
Do dia 60 ao 902%

É uma meta-análise de 2023 que juntou 46 estudos. Outra revisão, com mais de 20 mil gestações de vacas de alta produção, chegou a perto de 12% de perda entre os dias 28 e 60. Vasconcelos e Santos falam em 10% a 16% do dia 28 ao 56 e recomendam examinar de novo por volta de 60 dias.

Na prática: de cada oito vacas que deram prenhe no primeiro DG, uma não vai parir. Se ninguém reconfirmar, você só descobre na data prevista do parto, com a vaca já tratada como prenhe, fora da inseminação por meses. E depois do terceiro mês a perda fica pequena. É por isso que o segundo DG lá pelos 60 dias resolve quase tudo.

O calor aumenta a perda. No estudo brasileiro com 11.925 inseminações, a perda até 60 dias foi de 13,5% nas vacas sem estresse térmico e de 20,1% nas estressadas.

O toque cedo faz a vaca perder o bezerro?

Os estudos antigos diziam que sim, mas não tinham grupo de comparação. Os estudos controlados mais recentes, de Juan Romano e colegas nos Estados Unidos, não acharam diferença: num deles, a perda foi de 13,2% nas vacas tocadas e 11,5% nas não tocadas, sem diferença estatística.

Há outro risco, menos conhecido: tocar a vesícula antes dos 40 a 42 dias foi associado a um defeito no intestino do bezerro (atresia de cólon), que mata o animal. Aconteceu em cerca de 5% dos bezerros de vacas tocadas cedo e em nenhum das tocadas depois. Mais um motivo para o toque ficar depois dos 40 dias e o exame precoce ficar com o ultrassom.

Por que o DG cedo encurta o intervalo

Descobrir a vazia aos 28 dias e ressincronizar na hora deixa perto de 39 dias entre uma inseminação e a outra. Com DG uma vez por mês, uma vaca inseminada logo depois da visita pode ficar quase 60 dias sem ninguém saber que está vazia.

Não adianta correr mais que a vaca. Num estudo de Wisconsin, ressincronizar aos 19 dias da primeira IATF deu 23% de prenhez na segunda inseminação; aos 26 dias, 34%; aos 33, 38%. Começar cedo demais derrubou o resultado.

Como montar a rotina

Um exemplo real, da Fazenda LA, em Carmo de Minas (MG), contado pela Fundação Roge: visita semanal, primeiro DG com 28 a 30 dias da última inseminação, segundo com 60, terceiro com 120 e quarto com 190.

Nem toda fazenda precisa de visita semanal. O que toda fazenda precisa é da lista certa no dia da visita:

Ninguém monta essa lista de cabeça na manhã da visita. Ou ela sai do caderno bem cuidado, ou do sistema, ou vaca fica de fora.

Custo: não existe tabela nacional de preço de DG. Uma clínica-escola de Santa Catarina cobrava R$ 25,20 por exame em 2025, mais o quilômetro. O valor real depende da região, do número de vacas por visita e do deslocamento. Numa visita com 30 vacas, o exame por vaca fica barato perto do custo de uma vaca vazia por mais um mês.

O que anotar

Com isso você tem a taxa de perda da sua fazenda, que diz se o problema está em emprenhar ou em segurar a prenhez. Ajuda também a separar a vaca que emprenha e perde da vaca que nem emprenha. A segunda leva à conversa sobre quando insistir e quando descartar.


Este texto é informativo e não substitui a orientação do médico veterinário responsável pela sua propriedade. O diagnóstico de gestação é ato do veterinário.

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No Zap Agro a vaca entra sozinha na fila de DG 30 dias depois da cobertura, e a atrasada aparece em destaque. No dia da visita, pergunte no WhatsApp “quem falta tocar?” e a lista chega pronta.

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